Além do preto no branco…

Contraste.
Luz. Sombra. Penumbra.
Movimento.
Cordas. Tom. Silêncio. Som.

A nova turnê do Grupo Corpo, com coreografia de Rodrigo Pederneiras, apresenta movimentos precisos e contundentes, de tirar o fôlego com as obras “Triz” e “Onqotô”.

“Triz, palavra de sonoridade onomatopaica, que tem nos vocábulos gregos triks/trikós (pelo, cabelo) sua mais provável origem etimológica, simbolizada pela expressão por um triz (por um fio)”. “Triz” traz movimentos monocromáticos que vão sendo construídos através de um espetáculo de sonoridade opulenta construída somente com instrumentos de corda num convite à “subversão rítmica” da música de Lenine.

A arquitetura cênica utiliza cerca de quinze quilômetros de cabo de aço tanto para composição simbólica da trilha sonora quanto como um convite ao imaginário maleável da limitação. Que é explorado tanto no sentido físico no palco, quanto no sentido figurado da divisão entre os opostos, do preto e do branco, da nossa própria dualidade e conflito em uma tensão permanente.

Os corpos enrolados nos trajes simétricos são um convite ao olhar que sob a meia luz, não despropositadamente, causam confusão e interação entre os extremos. Os bailarinos se soltam e rompem movimentos bruscos transmitindo a idéia do risco iminente e da efemeridade do movimento. O figurino de Zechmeister, por fim, tem como objetivo materializar essa determinação de que para se superar é preciso “se manter em movimento”.

E nesse sentindo, a segunda parte da apresentação ganha forma através das cores das malhas, que se deslocam plasticamente no palco. A coreografia é guiada pela voz inconfundível de Caetano Veloso: “É só isso”… emocionando os espectadores que assistem à performance artística quase sem piscar. Em oposição à primeira parte, os movimentos suaves e orgânicos dos bailarinos deslizam no profundo tom azul do palco inaugurando a ideia de concepção da vida, da origem do universo – tema central de “Onqotô“.

O espetáculo é composto por nove temas, cuja trilha é assinada por Caetano Veloso e José Miguel Wisnik. A composição sonora atua como facilitadora para a reflexão sobre todo o processo de construção “das cenas de origem”, que consistentemente retratam a natureza em evolução através da interação dos corpos entre si e com o ambiente: “meu corpo todo desmede-se, despede-se de si…” como ilustra Caetano em um dos seus versos.

Repleto de tiras de borracha escuras, o espaço cênico remonta o vazio, sem vida, sem nada, antes de tudo. E nesse desespero inerente `a ambiguidade entre o caos e ordenação surge o desamparo diante da dor da criação, poeticamente criado por Rodrigo.  Encaixe, conexão, adição, transformação… as seqüências de cenas permeiam a delicadeza e leveza dos movimentos em contraponto com “o pesar do mundo sobre si mesmo”, criando estímulo às diversas possibilidades do olhar sobre a uma massa de corpos que se une e se funde em busca de significado.

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Mais informações:

TRIZ

http://www.grupocorpo.com.br/obras/triz#splash
http://www.grupocorpo.com.br/obras/triz#trilha

Coreografia: Rodrigo Pederneiras
Música: Lenine
Cenografia: Paulo Pederneiras
Figurino: Freusa Zechmeister
Iluminação: Paulo Pederneiras e Gabriel Pederneiras

ONQOTÔ

http://www.grupocorpo.com.br/obras/onqoto#splash
http://www.grupocorpo.com.br/obras/onqoto#trilha

Coreografia: Rodrigo Pederneiras
Música: Caetano Veloso e José Miguel Wisnik
Cenografia e iluminação: Paulo Pederneiras
Figurino: Freusa Zechmeister

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