O inferno são os outros?

“A felicidade só real, quando compartilhada”.
Na Natureza Selvagem

Não somos e não queremos ser livres. Somos seres sociais, precisamos do outro. Precisamos do semelhante e do contra-ponto. Nos tornamos seres complexos que mudam e se desenvolvem através do contato. Podemos nos iludir que a solidão é uma possibilidade… No entanto, a liberdade implica na “isenção de todas as restrições”, sejam elas econômicas, sociais, políticas… emocionais.

Temos permissão para fugir e abandonar os vestígios de civilização… “Na natureza selvagem”, filme escrito e dirigido por Sean Penn, conta a história de Christopher McCandless, que após se formar na faculdade, decide abrir mão do seu futuro profissional e demais convenções sociais para seguir seus ideais. Com apenas uma mochila nas costas, vai viver a sua condição de não-pertencimento. Em busca de si, encontra o outro. Conhece lugares e pessoas. Foge e segue só.

O protagonista do filme resolve viver uma sucessão de arbitrariedades e vai para o Alasca, em uma grande missão. Vive isolado na natureza, com alguns livros e um sonho. O propósito é desvendar a sua essência e viver esse processo de maneira intensa e exclusiva, porém ele se depara com uma série de dificuldades e imprevistos que o fazem refletir sobre o que realmente buscava…

Entretanto, o encontro com ele mesmo revela que a resposta está em algo maior que o indivíduo em si. “Descubro cada vez mais que o paraíso são os outros” pois é através do outro que nos deparamos com a nossa própria humanidade. Sem o convívio, somos apenas animais. É o que diz Valter Hugo Mãe em seu livro infanto-juvenil “O Paraíso São Os Outros”, título que faz alusão à célebre frase de Jean Paul Sartre.

“Mãe, pais, filhos, outra família e amigos, todas as pessoas são a felicidade de alguém, porque a solidão é uma perda de sentido que faz pouca coisa valer a pena”. É através da conexão com as pessoas que somos capazes de nos perceber, avaliar o que queremos e o que não faz sentido. E ironicamente, justamente por essa necessidade de busca por sentido, que Chris abandona a todos. Contudo, a fuga lhe provou que não se pode fugir daquilo que constitui a nossa própria natureza e origem… o outro.

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