Inhotim, todos os caminhos levam a novas experiências

Basta fechar os olhos e sentir o vento vir ao encontro, balançar os cabelos e sentir o frescor combinar com raios cálidos. O sol que aquece e se faz presente através do brilho na paisagem, contribui com a vivacidade das cores e com o espelhar do cenário nas águas. Assim é o Inhotim, um jardim botânico acolhedor com obras que convidam os sentidos a fazerem parte desta grandiosa festa pela arte.

Todos os caminhos levam a novas experiências. Seja através de um jogo de espelhos, um jardim nada convencional ou cômodos coloridos… O artista Edward Krasinski, por exemplo, faz uso preciso e desorientador de uma única linha azul que percorre todo o ambiente em diferentes espelhos e profundidades, chegando até mesmo a sobrepor ao corpo do visitante. A sensação de busca por continuidade e, ao mesmo tempo, a impossibilidade de conexão se dá pelo uso obsessivo de elementos que se repetem em diferentes ângulos complementares presentes nas suas obras.

Não tão longe vemos novamente a arte se expressar através da composição de um padrão compulsivo no Jardim de Narciso, de Kusama. Um jardim ao ar livre cinético com centenas de bolas espelhadas que distorcem e refletem a imagem daquele que as observam, fazendo lembrar o culto ao eu como no mito de Narciso. Entretanto, a experiência provocativa do Inhotim atinge seu potencial máximo na Galeria Cosmococas. Em diversas instalações quasi-cinema, Hélio Oiticica nos provoca os sentidos através de intervenções sensoriais com uso de projeções, materiais diversos e melodias pertubadoras que nos leva à reflexão de questões da contemporaneidade como a fama e consumo.

De maneira mais abstrata e extrema, Chris Burden também tenta promover o diálogo em questões como poder e status através de seu trabalho. O lançamento de 71 vigas de ferro a 45 metros de altura em um terreno de cimento fresco questiona radicalmente os limites físicos e, por que não, morais. Assim como Bruden, Marcius Galan trabalha com os limites. No entanto, a execução da sua obra é trabalhada com delicadeza e provoca encantamento no seu primeiro contato com ela. A expectativa com relação ao trabalho geométrico, porém, é frustada quando o observador se dá conta que os limites são apenas ilusórios e disruptivos, acarretando em um misto de sentimentos como decepção e incompreensão.

Lygia Pape já trabalha com o oposto: a união, o laço e a interação. Em Tteia – que significa coisa graciosa – a artista resgata a liberdade de experimentação que leva à dimensão subjetiva de sua arte em geral como defendeu no manifesto Neoconcretista. E seguindo esse mesmo clima, Valeska Soares faz a magia entrar cena através de um mundo de fantasia denominado Folly. Um pavilhão com a faixada inteiramente espelhada, reflete o externo com o objetivo de convidar o visitante ao envolvimento com a obra e à introspecção. Ao adentrar o ambiente, o visitante se depara com um ambiente escuro iluminado por uma projeção de vídeo que seduz pela delicadeza dos movimentos rítmicos, fazendo que as pessoas fechem os olhos e se deixem levar… Se permitindo experimentar a liberdade de ser quem se é.

Por fim, duas obras que entram para lista das favoritas são a View machine, de Olafur Eliasson, e A origem da obra de arte, de Marilá Dardot. Ambas trabalham  a questão do olhar. A primeira, um caleidoscópio gigante que se denomina máquina de ver, nos faz perceber o mundo de possibilidades que se abre a cada novo movimento, nos permitindo descobrir novos pontos de vista.  Já a segunda, oferece ferramentas para que esse novo olhar possa criar conceitos e descobrir possibilidades de experimentação e transformação através da arte. O gramado extenso no qual está inserida a obra proporciona a renovação do ambiente através da interação dos vasos de barro em formatos de letras a partir da interferência e propósito dos visitantes. Se tornam, assim, elementos fundamentais para semear a linguagem através da natureza – matéria prima tão fundamental no Inhotim -, e que faz dele um lugar em contínua transformação.

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