Relatos de um anti-herói

 

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”
Nelson Mandela

Todos nós precisamos de heróis. Precisamos de estereótipos para definir os extremos da nossa conduta moral e para que saibamos se a forma como agimos é boa ou ruim de acordo com a cultura em que estamos inseridos. Os heróis e vilões são arquétipos que personificam esses dois mundos, servindo como modelos do que ‘é correto fazer’ ou não.

Ao mesmo tempo que os mitos tem essa aura mística e nos inspiram a sermos pessoas melhores, temos consciência da impossibilidade de nos tornarmos um deles. Afinal, eles representam o bem ou mal supremo em nossas vidas e nós não somos fruto de nenhum deles extremos isoladamente. É comum nos depararmos constantemente com a linha tênue entre os dois mundos em algumas situações e, para tal, precisamos ser habilidosos para enfrentá-las e seguirmos em frente.

Nos romances, além daqueles que se definem como herói ou vilão, temos os anti-heróis. A esses faltam atributos físicos ou sobrenaturais, além das virtudes intrínsecas ao conceito clássico do herói. Inclusive, os anti-heróis costumam angariar muitos fãs pelo fato de ser mais fácil se identificar com alguém que não é totalmente perfeito e do bem, mas que também que não é totalmente ruim e do mal. O ser humano não é preto no branco, são seres complexos que precisam entender a si e aos outros em meio a condições adversas e emoções desordenadas para tentar fazer o melhor que podem.

O autoconhecimento é gatilho para conseguirmos ter a lucidez para fazer escolhas cada vez mais fiéis a nós mesmos, construindo quem somos e determinando nossos limites. Bem escrito desde a escolha do título até a última página, ‘Confissões de um homem livre’  surpreende por sua narrativa encadeada que faz do leitor cúmplice da trajetória autobiográfica de Luiz Alberto Mendes. O anti-herói conta de maneira direta e, muitas vezes, desconcertante o que é (sobre)viver encarcerado.

O ambiente complexo exige grande habilidade para lidar com diferentes grupos e interesses,  além de lutar continuamente por respeito tanto no mundo do crime quanto nas leis do submundo penitenciário. Só mesmo com grande maestria para lidar com a barbárie diária, recomeços imprevisíveis e, mesmo assim, seguir alimentando sonhos e buscando ser um homem de bem…

A narrativa se desdobra no processo de autoconhecimento do protagonista ao atingir a maturidade de sua existência. Maturidade que o liberta para outras possibilidades ao seu redor… Não só no sentido prático de sua saída da prisão, mas também de um mundo deturpado que mascara as qualidades de quem vive nele e, pior, que cultiva a animalidade das relações, potencializando o que se tem de pior no ser humano.

O desespero mostra que muitas vezes viver entorpecido é a válvula de escape da dor e da tristeza que a lucidez traz. Mas, por outro lado, o desejo de um propósito claro que o guie diante das ciladas e recaídas faz reacender a esperança de que é possível mudar a realidade através da educação, da informação e do conhecimento.

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Mais informações:

CONFISSÕES DE UM HOMEM LIVRE, Luiz Alberto Mendes.
http://www.livrariacultura.com.br/p/confissoes-de-um-homem-livre-46097327?id_link=13776&adtype=pla&gclid=CNzogp-B6dICFUKAkQodeN4JWA

confissoes

 

 

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